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Lei de Lula Reconfigura Isenções Fiscais e Aumenta Vínculo do Terceiro Setor com o Estado

Presidente Lula (PT) sancionou lei que reverte isenção tributária história do terceiro setor ...

Em uma movimentação que promete reformular o panorama de atuação de milhares de organizações civis no Brasil, o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou uma nova legislação que altera significativamente as regras para a concessão de isenções fiscais ao terceiro setor. A medida representa um ponto de inflexão na relação entre o Estado e as entidades não governamentais, introduzindo critérios mais rigorosos e exigindo uma aprovação formal governamental para o acesso a benefícios que, em muitos casos, eram considerados históricos.

O Marco Histórico das Isenções para o Terceiro Setor

Tradicionalmente, muitas instituições do terceiro setor, engajadas em atividades de assistência social, educação, saúde, cultura e meio ambiente, desfrutavam de regimes de isenção fiscal como forma de incentivo e reconhecimento de seu papel complementar às políticas públicas. Essa prática visava facilitar o fluxo de recursos para essas entidades, permitindo-lhes investir mais em suas causas sociais e comunitárias. As isenções, em diversas esferas tributárias, contribuíram para a sustentabilidade financeira de um vasto ecossistema de ONGs, associações e fundações que atuam em áreas vitais para o desenvolvimento social do país.

As Novas Regras: Fim de Isenções e Exigência de Certificação Estatal

A recém-sancionada lei estabelece um novo paradigma. Ela não apenas reverte algumas das isenções fiscais que eram consideradas garantidas por um longo período, mas também institui um mecanismo inovador e mais estrito: a vinculação da concessão ou manutenção dos benefícios fiscais à obtenção de certificações específicas emitidas pelo próprio Estado. Isso significa que, a partir de agora, a capacidade de uma organização do terceiro setor em acessar certas desonerações tributárias dependerá de um selo de aprovação governamental, que atestará sua conformidade com critérios predefinidos e sua relevância de acordo com a ótica estatal.

Essa 'chancela do governo' implicará um processo mais burocrático e detalhado, onde as entidades precisarão demonstrar sua elegibilidade de forma contínua, sujeitando-se a avaliações periódicas e ao cumprimento de requisitos que ainda serão pormenorizados. A mudança representa uma saída do modelo anterior, onde a presunção de finalidade pública e a transparência das ações eram, em muitos casos, suficientes para o acesso aos benefícios fiscais.

Impactos e Desafios para as Organizações Civis

A implementação desta nova legislação projeta um cenário de desafios e adaptações para o terceiro setor. Organizações de todos os portes precisarão rever suas estratégias administrativas e financeiras para atender às novas exigências. As entidades menores, com estruturas mais enxutas e menos recursos para lidar com processos certificatórios complexos, podem enfrentar maiores dificuldades. Há a preocupação de que o aumento da burocracia e a necessidade de validação governamental possam atrasar a execução de projetos, desviar recursos que seriam aplicados nas atividades-fim e, em casos extremos, inviabilizar a operação de algumas instituições.

Por outro lado, a medida pode ser vista como um avanço na busca por maior transparência e accountability no uso das isenções fiscais, assegurando que os benefícios alcancem efetivamente as entidades que cumprem rigorosamente os preceitos legais e sociais. No entanto, o equilíbrio entre fiscalização e fomento à atuação da sociedade civil será um ponto crucial a ser observado na prática.

O Racional da Medida Governamental

Embora a lei não detalhe explicitamente as justificativas do governo, tais medidas frequentemente buscam otimizar a gestão dos recursos públicos – incluindo as renúncias fiscais – e fortalecer a fiscalização. O objetivo pode ser assegurar que as isenções sejam concedidas apenas a organizações que demonstrem alinhamento com as prioridades estatais, eficácia em suas ações e total conformidade com normas de governança e prestação de contas. Ao vincular os benefícios à certificação, o governo assume um papel mais proativo na qualificação das entidades que serão elegíveis para o apoio indireto do Estado, visando prevenir possíveis fraudes ou desvios e garantir maior retorno social para cada centavo de renúncia fiscal.

Esta abordagem reflete uma tendência global de governos que buscam maior controle e padronização sobre setores que recebem subsídios ou incentivos, garantindo que os mesmos estejam em conformidade com as diretrizes e expectativas da administração pública, ao mesmo tempo em que promovem uma maior sinergia entre as ações governamentais e as iniciativas da sociedade civil.

Perspectivas Futuras para o Terceiro Setor

A nova lei de isenções fiscais marca, portanto, uma virada na forma como o Estado brasileiro se relaciona com o terceiro setor. As organizações precisarão se adaptar rapidamente a um ambiente regulatório mais exigente, investindo em governança corporativa, transparência e na capacidade de comprovar sua relevância e eficácia perante os novos critérios estatais. O sucesso da implementação dependerá da clareza das normas, da agilidade dos processos de certificação e do diálogo contínuo entre governo e sociedade civil para mitigar os impactos negativos e potencializar os positivos.

O futuro do terceiro setor no Brasil será moldado pela capacidade de suas entidades de navegarem por este novo cenário, demonstrando resiliência e adaptabilidade, ao mesmo tempo em que defendem seu espaço vital na construção de uma sociedade mais justa e equitativa.

Fonte: https://www.gazetadopovo.com.br